Sorriso: Investigação revela uso de caminhões com carga acima da nota fiscal em esquema de desvio de grãos

A investigação da Operação Safra Desviada, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Mato Grosso, detalha como um suposto esquema de desvio de grãos teria sido operacionalizado na prática, com destaque para o uso de caminhões transportando volumes superiores aos declarados em documentos fiscais.

O modelo descrito pelos investigadores envolve diretamente operações associadas à empresa Sagel Comércio de Cereais, em Sorriso (MT), e ao empresário Felipe Faccio, além de empresas a ele vinculadas, como a Agrícola Faccil.

De acordo com os documentos que embasam a apuração, o esquema teria sido estruturado a partir da retirada de parte da produção sem registro formal, com posterior inserção desse volume em operações comerciais regulares. Um dos mecanismos centrais apontados pelo Gaeco é o transporte de cargas com divergência entre o peso real e o informado nas notas fiscais. Conforme descrito na representação, “verificou-se que caminhões saíam carregados com peso superior ao declarado nas notas fiscais, sendo registrado apenas o limite permitido, de modo que o excedente circulava sem documentação correspondente”.

Segundo a investigação, essa diferença entre o volume efetivamente transportado e o registrado nos documentos seria o elemento que permitiria a circulação de grãos fora do controle formal. A prática, conforme os autos, ocorreria de forma recorrente e integrada a outras etapas da cadeia logística, dificultando a identificação do desvio.

A empresa Sagel é citada diretamente nesse contexto. De acordo com o material analisado, “em operações envolvendo a empresa Sagel, constatou-se a prática de carregamento acima do peso legal, com emissão de notas fiscais contendo apenas o peso permitido, ocultando a diferença”. A investigação indica que esse tipo de operação teria sido utilizado para viabilizar a movimentação de cargas sem lastro documental.

Os documentos também apontam que empresas vinculadas ao empresário Felipe Faccio aparecem de forma recorrente nos fluxos logísticos analisados. “Empresas vinculadas a Felipe Faccio aparecem de forma recorrente nas operações investigadas, integrando fluxos logísticos nos quais se identificou a inserção de cargas não registradas”, descreve a representação.

Além do uso de transporte com divergência de carga, o GAECO sustenta que o esquema envolveria a inserção desses volumes em operações comerciais regulares, o que dificultaria a rastreabilidade dos grãos. Conforme consta nos autos, “o modus operandi consistia na inserção de cargas não contabilizadas em embarques formais destinados a tradings, dificultando a identificação do volume efetivamente desviado”.

A Operação Safra Desviada investiga a atuação de um grupo que, segundo os documentos, teria estruturado um sistema de desvio de grãos com divisão de funções entre diferentes etapas da cadeia do agronegócio, incluindo produção, transporte e comercialização. “Há indícios da atuação de organização estruturada, com divisão de funções entre núcleo interno e externo, voltada ao desvio e à posterior comercialização de grãos”, aponta a representação.

A defesa de NADIM MAKARI e CLÁUDIA ANGÉLICA MARTINS MAKARI enviou ao JK uma NOTA À IMPRENSA ressaltando que os clientes foram surpreendidos pela operação que foi deflagrada nesta quarta-feira (25/02).

LEIA A NOTA

O Escritório de Advocacia FERREIRA, LOUZICH & TEODORO BORGES, devidamente inscrito na OAB/MT sob o n. 639, na qualidade de defensor de NADIM MAKARI e CLÁUDIA ANGÉLICA MARTINS MAKARI, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos em razão do cumprimento de medidas cautelares no âmbito da denominada “Operação Safra Desviada”, capitaneada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, desencadeada na manhã do dia 25/02/2026, na cidade de Sorriso/MT, e em outros municípios e unidades da federação.

O Senhor NADIM MAKARI e a Senhora CLÁUDIA ANGÉLICA MARTINS MAKARI foram surpreendidos, na manhã de ontem (25/02/2026), com a realização de medidas de busca e apreensão em seu endereço residencial, bem como na sede de suas empresas, além do bloqueio de contas e outras restrições patrimoniais determinadas no âmbito de procedimento investigatório instaurado pelo GAECO – Ministério Público do Estado de Mato Grosso – no bojo da operação “Safra Desviada”, cujo conteúdo, até o presente momento, permanece sob sigilo, não tendo a defesa obtido acesso integral aos autos nem conhecimento formal acerca do teor das eventuais acusações, muito menos dos motivos que levaram à adoção da violenta medida em face dos mesmos, o que configura uma clara afronta às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa (Art. 5º, LV, CF/88), às prerrogativas da advocacia (Lei 8.906/94) e ao entendimento do Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 14 do Supremo Tribunal Federal), de modo que a defesa adotará todas as medidas necessárias perante as autoridades competentes.

Quanto ao teor das supostas acusações noticiadas pelos veículos de imprensa, cumpre destacar que o Senhor NADIM MAKARI e a Senhora CLÁUDIA ANGÉLICA MARTINS MAKARI são produtores rurais e residem no município de Sorriso há mais de 30 (trinta) anos, e sempre pautaram sua atuação empresarial pelo estrito respeito à legislação vigente, observando rigorosamente princípios éticos, normas regulatórias e práticas consolidadas de governança e compliance.

Até o momento, inexiste qualquer elemento concreto que possa vinculá-los à prática de atividades ilícitas. A defesa confia que, tão logo seja assegurado o pleno acesso aos autos da investigação, ficará demonstrada de forma inequívoca a absoluta lisura e regularidade de suas condutas e atividades empresariais, fato este que ensejará a imediata revogação das medidas cautelares ilegalmente impostas.

O escritório acompanha atentamente o caso e adotará todas as medidas legais cabíveis para garantir o respeito às garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência, certo de que os fatos serão devidamente esclarecidos pelas autoridades competentes.

Por fim, os clientes reafirmam sua total disposição em colaborar com as autoridades, confiantes de que a verdade prevalecerá.

Sorriso/MT, dia 26 de fevereiro de 2026

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) a Operação Safra Desviada. A ação cumpre 180 medidas cautelares autorizadas pela Justiça em uma investigação que apura o desvio de grãos e prejuízos de R$ 140 milhões ao Grupo Lermen e a outras empresas do setor.

As diligências estão sendo realizadas simultaneamente em Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão. Em Mato Grosso, policiais cumprem ordens judiciais em Cuiabá, Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Colíder, Nova Ubiratã, Boa Esperança do Norte e Campo Verde.

A investigação apura suspeitas de formação de organização criminosa, furto qualificado, estelionato contra idoso, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O esquema envolveria desvio sistemático de soja, milho e algodão, manipulação de registros internos, movimentações financeiras incompatíveis e uso de empresas para dissimular valores.

Entre as medidas cumpridas estão 80 mandados de busca e apreensão em residências, fazendas, empresas e outros imóveis ligados aos investigados.

A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias de 56 alvos, com valores que ultrapassam R$ 140 milhões, além do sequestro de mais de 70 veículos, entre caminhões, carretas e automóveis.

Também foram determinados a indisponibilidade de imóveis pertencentes a 20 pessoas físicas e jurídicas e o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de mais de 45 investigados.

A Justiça autorizou ainda a extração de dados de celulares, computadores, mídias externas e informações armazenadas em nuvem, além do bloqueio de contas de investigados em plataformas de apostas, diante de indícios de uso desses serviços para movimentação e ocultação de recursos.

As medidas buscam preservar provas, impedir a continuidade das práticas ilícitas, evitar a dissipação de bens e garantir a reparação dos danos causados. Segundo as decisões judiciais, há indícios de um esquema estruturado, dividido em núcleos, com manipulação contábil, empresas de fachada e transações financeiras atípicas.

A operação reúne mais de 180 policiais militares de Mato Grosso, 50 integrantes do Gaeco e 12 policiais civis de Sorriso, além do apoio de forças de segurança estaduais, incluindo a Diretoria de Inteligência da Polícia Militar e demais integrantes do SIPOM; o 1º Comando Regional da PMMT em Cuiabá, por meio da Força Tática da Capital, Força Tática de Sinop e Sorriso; o 3º Comando Regional da PMMT de Sinop; o 14º Comando Regional da PMMT de Nova Mutum; o 11º Comando Regional da PMMT de Primavera do Leste; o Ciopaer; a Polícia Judiciária Civil de Sorriso; além de Gaecos do Paraná, Maranhão, Pernambuco e São Paulo.

 

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Conforme apurado pela reportagem, uma segunda fase da operação deve ocorrer e pode incluir o cumprimento de mandados de prisão contra investigados apontados como integrantes do núcleo central do esquema.

Oito pessoas são empresários do ramo agrícola e uma é do comércio de roupas.

Entre os nomes levantados pela reportagem estão Ariozano Alves Timoteo Junior, sócio da Attua Comercial Agrícola Ltda., em recuperação judicial, sediada em Sorriso; Neodir Brandeleiro, administrador de website na empresa Auto Peças Izabelense Ltda., em Santa Izabel do Oeste, no Paraná;  Cledemir Luis Mocelini, sócio da Agropecuária Mocelini Ltda., em Boa Esperança do Norte; Suelene Aparecida do Carmo Nascimento, sócia-administradora da Ellus Sorriso, comércio varejista de roupas em Sorriso; Michele Faccio e Filipe Faccio, administradores da Agrícola Faccio Ltda., em Sorriso; Joherberton da Silva Rondon e Renan da Silva Rondon, sócios-administradores das empresas B.R. Assessoria Administrativa Ltda. e BR Participações Ltda., ambas em Sorriso; e Nadim Makari, sócio-administrador da Algodoeira Nova Prata, também em Sorriso.

Segundo as investigações, o grupo teria operado um esquema sistemático de desvio de soja, milho e algodão, com manipulação de registros internos de estoque e transporte, além de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos envolvidos.

LISTA DE ALVOS

JOHEBERTON DA SILVA RONDON, vulgo “BETO”

SUELENE APARECIDA DO CARMO NASCIMENTO

FELIPE FACCIO

MICHELE FACCIO

NEODIR BRANDELEIRO

CLEDEMIR LUÍS MOCELINI, vulgo “FOFO”

JOSEANDRO GOMIDES DA CRUZ LIMA

SABRINA CASTILHO CLARO

RENAN DA SILVA RONDON

LUCAS MODESTO RIBOLDI

JOEVAN SILVA DIAS

FABIANO ALIPI DA SILVA

MONARA CERVI

MARIA EDUARDA MELLO

ARIOZANO TIMÓTEO JUNIOR

JOSÉ CARLOS ORTA JUNIOR

CLAUDIA ANGELICA MARTINS MAKARI

NADIM MAKARI

 

ASSESSORIA COM JKNOTICIAS

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