O Juiz de Direito Cássio Luís Furim indefiriu o pedido da ex-primeira-dama Sinop para que o vídeo onde o vereador Marcos Vinícius, também de Sinop, gravou e postou em redes sociais onde falava que Sheila Pedroso era irmã de Antônio Jocemar Pedroso da Silva, vulgo “professor Jocemar” que é servidor da Câmara Municipal de Sorriso, e foi preso após ser um dos alvos da Operação Falso Mestre, deflagrada pela Polícia Civil no dia (19/05) contra um grupo criminoso interestadual envolvido em fraudes bancárias destinadas, especialmente voltadas à obtenção de financiamentos de veículos. Foram cumpridas duas prisões e mandados de busca e apreensão.
No seu pedido, Sheila disse que ela é uma pessoa amplamente conhecida no município de Sinop/MT, tendo exercido função pública anteriormente e sendo atualmente pré-candidata ao cargo de Deputada Estadual para pedir a exclusão do vídeo, mas o juiz indeferiu com base no fato de que a postagem é de interesse público e político.
“No caso em apreço, embora a parte autora alegue excesso no exercício da liberdade de expressão por parte do requerido, verifica-se, em análise perfunctória própria desta fase processual, que o conteúdo divulgado aparenta estar relacionado a fatos de interesse público e político, especialmente diante da condição de pessoa pública da autora e da narrativa vinculada à fiscalização da atuação administrativa e ao recebimento de verbas públicas.
Ademais, a tutela pretendida possui natureza satisfativa e implica restrição prévia à manifestação do pensamento e à liberdade de expressão, direitos constitucionalmente assegurados, cuja limitação demanda maior dilação probatória e análise aprofundada do contexto integral das declarações proferidas.
Ressalte-se que, neste momento processual, não se mostra possível concluir, de forma inequívoca, que houve extrapolação manifesta dos limites do direito de crítica ou da divulgação de fatos, tampouco identificar, com a segurança necessária para a concessão da medida excepcional, a existência de conteúdo manifestamente ilícito apto a justificar a imediata remoção da publicação.
Assim, o pleito se confunde com o próprio mérito da demanda, razão pela qual convém que sua análise definitiva ocorra no momento processual oportuno, mostrando-se indispensável a instauração do contraditório.
Portanto, eventual reconhecimento do direito alegado, caso existente, deverá ocorrer em sentença, após o devido crivo do contraditório e o exercício argumentativo das partes envolvidas.
Posto isso, INDEFIRO o pedido de tutela de urgência formulado na petição inicial.”
Antônio, que é irmão da ex-primeira-dama de Sinop, Scheila Pedroso, foi professor de uma vítima e teria utilizado a relação de confiança construída ao longo dos anos para obter acesso aos documentos pessoais dela, os quais posteriormente foram empregados em fraudes bancárias destinadas à obtenção de financiamentos de veículos.
Verificou-se que foram realizados financiamentos fraudulentos de veículos junto a instituições financeiras, incluindo um Chevrolet Cobalt e um Jeep Renegade, totalizando dezenas de milhares de reais em contratos bancários firmados sem o consentimento da vítima.
As apurações permitiram identificar o fluxo financeiro do esquema criminoso, os destinatários dos valores obtidos ilicitamente e a atuação de integrantes responsáveis pela falsificação documental, movimentação financeira e tentativa de regularização fraudulenta dos veículos.
Também foram identificados elementos indicando possível participação de pessoas com acesso a cartório da cidade, incluindo um juiz de paz, responsável por procedimentos relacionados às procurações utilizadas no esquema.
O delegado da Polícia Civil de Sorriso (MT), Thiago Meira, comentou sobre o perfil dos investigados na operação que apura um esquema criminoso envolvendo fraudes documentais e retirada ilegal de veículos apreendidos, que posteriormente eram repassados a terceiros sem seguir os trâmites legais.
“Há funcionários e pessoas ligadas a cartórios, Guarda Municipal e Câmara Municipal no esquema”, diz delegado sobre fraudes em Sorriso
Segundo o delegado, o grupo investigado seria composto por diferentes pessoas com funções específicas dentro da estrutura criminosa, incluindo servidores e trabalhadores com acesso a setores estratégicos.
“Tem um alvo que é integrante de uma facção criminosa, que age em todo o Brasil”, afirmou.
Thiago Meira destacou ainda que há indícios da participação de pessoas ligadas a diferentes órgãos e setores, o que teria facilitado a atuação do esquema.
“Tem pessoas vinculadas a cartório, Guarda Municipal, Câmara Municipal e cartório, sim, os vínculos mais específicos”, disse.
De acordo com o delegado, também há investigação sobre a participação de terceirizados responsáveis pela guarda de veículos apreendidos em pátios.
“Tem pessoal vinculado ao pátio, que guardava os veículos, terceirizados. Estavam atuando essas pessoas? Estavam atuando”, relatou.
O delegado explicou que a investigação aponta para uma rede organizada com o objetivo de retirar veículos de forma irregular dos pátios e revendê-los sem autorização.
“Tudo era uma rede para conseguir furtar, tirar os veículos do pátio e vender para terceiros, sem passar pelos trâmites normais”, concluiu.
Antonio Jocemar Pedroso da Silva, conhecido como “Professor Jocemar”, que é servidor da Câmara de Sorriso e foi preso na Operação Falso Mestre, ganhava quase R$ 30 mil reais, seu salário bruto era de RT$ 29,084. “Professor Jocemar” também já tinha sido denunciado por estelionato após um homem, de 33 anos, procurar a polícia para relatar que foi vítima de estelionato após assar cópias dos seus documentos acreditando que faria matrícula em um curso de conclusão do ensino médio na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o “Professor Jocemar” conseguir fazer dois financiamentos de veículos em seu nome.
Foram financiados um carro Cobalt, ano 2016/2017, e um Jeep/Renegade, ano 2018/2018, branco.
Ainda segundo a vítima, ele estava recebendo multa a todo momento, pois os dois veículos estão em seu nome e ele não sabe como resolver o problema, pois não autorizou o suspeito a usar os seus documentos para fazer financiamento.
No entanto, segundo a Polícia Civil, “Professor Jocemar” teria usado a relação de confiança para obter os documentos e aplicar fraudes bancárias para financiar veículos sem autorização da vítima.
As investigações apontaram financiamentos fraudulentos de dois carros. A polícia também identificou movimentações financeiras, destinatários dos valores obtidos e atuação coordenada de pessoas responsáveis por falsificação documental e tentativa de regularização fraudulenta dos veículos.
Na Operação Falso Mestre, foram cumpridos dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão. Os investigados poderão responder por estelionato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e associação criminosa.
Ao todo, as duas operações resultaram no cumprimento de sete mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios judiciais de contas bancárias, afastamentos de sigilo financeiro, suspensão de funções públicas e outras medidas cautelares patrimoniais e investigativas.
NOTA OFICIAL
A Câmara Municipal de Sorriso, por meio da Procuradoria Jurídica, informa que tomou conhecimento da prisão de servidor de seu quadro funcional, em investigação conduzida pelas autoridades competentes.
A instituição acompanhará os desdobramentos do caso pelos meios oficiais e adotará, no âmbito administrativo, as providências eventualmente cabíveis, na forma da legislação aplicável.
A Câmara Municipal permanece à disposição das autoridades competentes para colaboração institucional necessária.
Câmara Municipal de Sorriso
Procuradoria Jurídica
19/05/2026
Ainda conforme a polícia, também há indícios da participação Idelbrando Abadia Rodrigues, conhecido como “Calango”, que é juiz de paz e responsável por procedimentos relacionados às procurações utilizadas no esquema.
Jesse Ferreira de Barros, conhecido como “Barros”, agente de trânsito; Everton Monteiro Chagas, vulgo “Saymon”; Wesley da Silva Monteiro; Gabriel Castro Lima, vulgo “Pará”; Charles Adriano dos Santos e Jhonny Lourenço de Oliveira são os presos durante duas operações da Polícia Civil, realizadas nesta terça-feira (19), em Sorriso.
As ações, chamadas de Operação Eidolon e Operação Falso Mestre, investigam crimes como organização criminosa, estelionato, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos públicos. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
Em nota, a Prefeitura de Sorriso (MT) informou que o guarda foi afastado da função em outubro de 2025, quando começou a ser investigado, e responde Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Segundo a Polícia Civil, o juiz de paz, apontado como possível facilitador das fraudes investigadas, era alvo comum das duas operações.
De acordo com a polícia, a segunda fase da Operação Eidolon apura a atuação de uma associação criminosa suspeita de desviar veículos apreendidos e que estavam sob guarda da administração pública municipal. O esquema envolveria servidores públicos, falsificadores, intermediadores e receptadores.
A investigação apontou que o grupo identificava veículos com baixa probabilidade de recuperação pelos proprietários, principalmente motos com pendências administrativas, e utilizava procurações fraudulentas e documentos falsificados para retirar os veículos dos pátios conveniados.
A polícia informou que foram identificados investigados com acesso privilegiado a sistemas públicos e pessoas ligadas a cartórios e procedimentos de autenticação documenta. Entre os investigados está um guarda municipal apontado como liderança operacional do esquema e o juiz de paz.
Na segunda fase da Operação Eidolon, foram cumpridos cinco mandados de prisão, nove mandados de busca e apreensão, cinco ordens de bloqueio de contas bancárias, suspensão de registros de empresas, suspensão do exercício de função pública, afastamento do sigilo financeiro de oito investigados e outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
O guarda municipal Jesse Ferreira Barros e mais 3 pessoas foram alvos da Operação Eidolon, em (25/10/2025), que investiga um esquema de venda ilegal de veículos apreendidos e sob a guarda da Prefeitura de Sorriso.
Segundo a Polícia Civil, o grupo era formado por servidores públicos, falsificadores e receptadores, e teria desviado pelo menos 69 veículos que estavam sob responsabilidade da administração municipal.
- O servidor público investigado era responsável por selecionar veículos “vulneráveis”, com baixa probabilidade de serem reclamados pelos donos, geralmente motocicletas com pendências administrativas.
- Com ajuda de falsificadores e cartórios, o grupo produzia procurações fraudulentas em nome dos supostos proprietários.
- Parte dos documentos era adulterada digitalmente por meio do Gov.br; outras eram confeccionadas em cartórios locais mediante pagamento de cerca de R$ 1 mil por documento.
- Em seguida, eram criados termos de liberação falsos, que autorizavam a retirada dos veículos dos pátios credenciados.
- As taxas eram pagas via Pix, muitas vezes em nome dos próprios envolvidos.
Ainda segundo as investigações, o guarda recebia entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por veículo liberado ilegalmente. Em nota, a prefeitura do município informou que o servidor foi afastado preventivamente das funções até a conclusão das investigações.
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Início das investigações
As investigações começaram a partir da denúncia de um empresário do Paraná, feita em setembro deste ano. Ele contou à polícia que o guarda municipal havia pedido dinheiro para liberar um veículo de forma irregular.
O empresário recusou e decidiu seguir os trâmites legais, mas, ao chegar em Sorriso, descobriu que o automóvel já havia sido retirado do pátio. Ao analisar o termo de liberação, os investigadores perceberam inconsistências e assinaturas falsas, além de o documento ter sido emitido em nome de outra pessoa.
Na ação deste sábado, além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, afastamento de dados telemáticos e sequestro de bens.
Conforme a polícia, os investigados devem responder pelos crimes de associação criminosa, peculato, inserção de dados falsos em sistemas de informações, falsificação de documento público e uso de documento falso.
