Quarta-feira, 22 de julho de 2026|Sorriso, MT
🚨 PLANTÃO

Sorriso: TJ nega novo pedido de habeas corpus para soltar Gabriel Tacca que mandou matar Ivan Bonotto

Por unanimidade, a Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a prisão do empresário Gabriel Júnior Tacca, acusado de mandar matar o amigo Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, após descobrir uma suposta traição dentro de sua casa, em Sorriso.

O voto do relator, o desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, foi acompanhado por todos os integrantes do colegiado, que negaram o habeas corpus e mantiveram a prisão preventiva de Tacca. O acórdão foi publicado nesta quinta-feira (23).

Segundo o relator, a defesa tentou reapresentar argumentos já analisados, sem trazer qualquer fato novo. “O pedido de revogação da custódia preventiva não comporta conhecimento, configurando mera reiteração sem elementos inéditos”, destacou.

“A reiteração de pedido anteriormente julgado, sem a demonstração de fato novo relevante, não é admitida na via do habeas corpus”, completou.

A defesa também tentou derrubar a denúncia, alegando falta de fundamentação, mas o TJMT afastou a tese e manteve o andamento do processo. “A decisão que ratifica o recebimento da denúncia possui natureza de decisão interlocutória simples, não exigindo fundamentação exauriente”, diz trecho do acórdão.

Além disso, o relator ressaltou que há base suficiente para a ação penal. “A peça acusatória atende aos requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal, descrevendo de forma suficiente os fatos criminosos”, pontuou. O acórdão também destacou que não há ilegalidade na decisão de dar continuidade ao processo, uma vez que ainda é necessária a produção de provas para esclarecer os pontos levantados.

Assim, o caso seguirá para a fase de instrução, quando essas provas serão analisadas. Eventuais nulidades poderão ser discutidas posteriormente. “Portanto, não há ilegalidade na decisão que, reconhecendo a necessidade de dilação probatória para o deslinde das questões preliminares suscitadas, determina o prosseguimento do feito para a fase instrutória.

A tese de nulidade poderá ser renovada e devidamente examinada pelo juiz natural da causa no momento da sentença, após a formação do contraditório.

A via estreita do habeas corpus não comporta tal dilação probatória. Por todo o exposto, não conheço da impetração no tocante ao pedido de revogação da prisão preventiva, por configurar mera reiteração de fundamentos já examinados e denegados por este colegiado.

Na parte conhecida, relativa à alegada nulidade da decisão que ratificou o recebimento da denúncia por ausência de fundamentação, em consonância com o parecer ministerial, denego a ordem impetrada em favor de Gabriel”, diz o voto.

ENTENDA O CASO

Segundo o Ministério Público, Ivan Michel Bonotto era amigo próximo de Tacca, mas teria se envolvido, de forma escondida, com a namorada do empresário. A traição teria sido descoberta após câmeras de segurança flagrarem os dois trocando beijos dentro da residência.

Em uma das imagens, ela aparece de baby doll, enquanto ele faz um “joinha” para a câmera ao sair.

Para a acusação, a partir daí teria surgido o plano de vingança. O crime ocorreu na noite de 21 de março de 2025, em uma distribuidora de bebidas no bairro Residencial Village, em Sorriso.

De acordo com a denúncia, Tacca teria articulado o assassinato com Danilo Carlos Guimarães, apontado como executor do crime. Ivan foi esfaqueado, socorrido e levado ao Hospital 13 de Maio, mas morreu no dia 13 de abril, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Os acusados foram presos durante a Operação Inimigo Íntimo, deflagrada pela Polícia Civil.

O juiz da 1ª Vara Criminal de Sorriso, Rafael Depra Panichella, negou mais um pedido de soltura do empresário Gabriel Júnior Tacca, acusado de mandar assassinar o próprio amigo, Ivan Michel Bonotto, de 35 anos. O crime ocorreu em março do ano passado no município, mas Gabriel só foi preso em julho.

Esta é a quarta tentativa frustrada do réu de deixar a prisão. Ao manter a custódia, o magistrado destacou que permanecem válidos os fundamentos que justificaram a prisão preventiva, além de ressaltar que os argumentos da defesa já foram analisados por instâncias superiores. “No que tange ao pedido de revogação cautelar da prisão de Gabriel Tacca, tenho por indeferir, considerando que ainda permanecem hígidos os motivos que ensejaram a sua prisão.

No mais, os fundamentos apresentados já foram analisados pelos tribunais superiores nos respectivos habeas corpus”, diz trecho da decisão publicada em 26 de março. No dia 17 de março, foram ouvidas testemunhas durante audiência de instrução e julgamento.

Na ocasião, o juiz também determinou o envio de ofícios à empresa Meta e a operadoras de telefonia, solicitando informações para a continuidade da produção de provas. A audiência terá sequência no dia 17 de abril.

O processo tramita na primeira fase do rito do júri e envolve também o réu Danilo Guimarães, apontado como executor do crime.

Em decisão anterior, a juíza Henriqueta Fernanda C. A. F. Lima, convocada da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, também negou habeas corpus à defesa de Gabriel Tacca. “Considerando a limitação inerente ao juízo de cognição sumária característico desta fase e a ausência dos pressupostos que autorizam a concessão da medida, indefiro o pedido liminar”, afirmou.

A magistrada ressaltou ainda que pedidos como a suspensão da ação penal e alegações de inépcia da denúncia exigem análise aprofundada das provas, o que não é possível neste momento processual. Segundo ela, a prisão preventiva segue necessária para garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal, diante da gravidade concreta dos fatos.

Antes disso, o ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça, também negou liberdade ao empresário. Ele destacou a gravidade do caso e a suposta premeditação do crime, apontando risco ao meio social. “Tal conjuntura demonstra o risco ao meio social e recomenda a manutenção da custódia”, registrou.

De acordo com as investigações, o crime ocorreu entre a noite de 21 e a madrugada de 22 de março do ano passado, em uma distribuidora de bebidas no bairro Village.

O Ministério Público aponta que Gabriel Tacca teria contratado Danilo Guimarães para simular uma briga de bar e executar a vítima a facadas, motivado por vingança após descobrir um relacionamento entre Ivan e sua companheira.

Após o ataque, Gabriel teria simulado solidariedade ao socorrer a vítima, numa tentativa de ocultar sua participação. Ivan Bonotto chegou a ser internado no Hospital 13 de Maio, onde permaneceu por 22 dias.

Apesar de apresentar melhora inicial, sofreu uma parada cardiorrespiratória no dia 13 de abril e morreu em decorrência das complicações dos ferimentos. Gabriel foi preso temporariamente em 15 de julho de 2025, tendo a prisão convertida em preventiva em 12 de setembro do mesmo ano.

Ele segue detido no Centro de Ressocialização de Sorriso e responde por homicídio qualificado e fraude processual. A defesa sustenta que há constrangimento ilegal, alegando supostas irregularidades na obtenção de provas e ausência dos requisitos para manutenção da prisão, além de pedir a aplicação de medidas cautelares alternativas. No entanto, todos os pedidos foram rejeitados até o momento.

O JK NOTÍCIAS teve acesso a fotos da arma e do local do crime. As imagens mostram a distribuidora coberta de sangue após Ivan ter sido esfaqueado. Segundo informações repassadas ao JK NOTÍCIAS, o assassino teria chegado pelas costas de Ivan e desferido as facadas, duas delas atingiram o pulmão e o coração da vítima.

O advogado do suspeito alega legítima defesa. Em entrevista, o delegado Dr. Bruno França relatou que o autor afirma ter sido alvo de ofensas raciais por parte da vítima.

Um novo vídeo obtido pelo JK Notícias mostra o momento em que o autor do assassinato de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, retorna à distribuidora de bebidas onde ambos estavam e desfere as facadas que tiraram a vida da vítima. Ivan foi esfaqueado na noite de 22 de março e, após semanas internado, não resistiu aos ferimentos e faleceu no último domingo, dia 13 de abril.

As imagens mostram que o assassino ido embora do local, mas voltou instantes depois e atacou Ivan pelas costas. O vídeo contradiz a versão de legítima defesa sustentada pelo advogado do acusado nas redes sociais.

Logo após a repercussão do caso, o advogado do autor do crime respondeu a comentários de internautas nas redes sociais do JK NOTÍCIAS e afirmou que seu cliente teria agido em legítima defesa. Em uma das respostas, chegou a afirmar que a faca usada no crime não pertencia ao seu cliente.

Em um dos comentários, um seguidor perguntou: “Já pegaram o autor dessa crueldade?” O advogado respondeu: “Por que crueldade? O meu cliente se defendeu e agiu em legítima defesa. Logo os fatos serão esclarecidos.”

Outro internauta questionou: “O local tem câmeras pra apurar se a vítima também estava armada? Legítima defesa? Ninguém anda com uma faca por aí.” O advogado respondeu: “Tinha, inclusive eu mesmo fui atrás para conseguir as imagens. A PJC também fez buscas. Você sabe quem estava com a faca inicialmente? Você estava no local? Se sim, sugiro que preste teu depoimento. A faca não era do meu cliente, que, inclusive, foi ferido.”

Antes de ser morto Ivan gravou seu assassino, nas imagens, Ivan aparece conversando com o suspeito, que, visivelmente embriagado, diz: “Sorriso é uma Dubai. Se você tiver dinheiro, você mata os outros aqui.” .O vídeo foi gravado pouco tempo antes da vítima ser esfaqueada pelo homem.

 
 
 
 
 
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De acordo com o delegado Bruno, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o autor do crime foi identificado ainda nos primeiros momentos após o esfaqueamento. Um pedido de prisão foi feito pela Polícia Civil, mas o investigado se apresentou voluntariamente à delegacia. Ele não possuía antecedentes criminais.

As investigações apontam que houve uma briga no bar e, segundo testemunhas, tudo teria começado com uma provocação da vítima, o que ainda não pode ser confirmado. A motivação do crime, no entanto, é considerada fútil.

O autor, que está em liberdade, será indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil. Inicialmente, a polícia aguardava a melhora de Ivan para ouvi-lo oficialmente, mas com o falecimento da vítima, o inquérito será concluído e encaminhado ao Ministério Público.

Na madrugada do dia 22 de março, a Polícia Militar foi acionada até um hospital particular da cidade, onde Ivan deu entrada com múltiplas perfurações de arma branca. A proprietária da distribuidora relatou à PM que estava encerrando as atividades do estabelecimento quando presenciou uma discussão entre dois homens. Logo após, Ivan entrou no local ferido e pedindo socorro.

Diante da gravidade, a testemunha colocou a vítima em seu próprio veículo e a levou até o hospital. No local do crime, os policiais encontraram uma grande quantidade de sangue, uma faca e a caminhonete da vítima, uma Ford F-250 prata.

 

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